O orgulho de ser Terceirão

 

15 de Maio, por Sabrina Ferreira,

aluna da 3ª série do E.M. CNSD 2017.

 

“E quero que você saiba que sou feliz e

 triste ao mesmo tempo, e ainda estou

tentando entender como posso ser assim.”*

 

É com essa frase que eu descrevo o sentimento de estar no último ano, a euforia com a escolha da universidade; o descobrimento e pensamento sobre as inúmeras possibilidades de cursos e futuros, invadem nossas mentes e vidas; o medo do novo e do desconhecido torna-se um complexo de sentimentos, de dúvidas e alegrias; são tantas emoções que por vezes não sabemos distinguir nem expressar o que se passa em nosso íntimo. 

Em contra partida temos o sentimento nostálgico, por mais que não tenhamos acabado de fato a escola, temos o sentimento que devemos viver o máximo possível; queremos ter todas as experiências que estiverem ao nosso alcance; a vontade de viver cada dia, cada minuto como se fossem os últimos. O medo do fim se torna evidente, por mais que a vontade de um futuro diferente seja tão almejado, o ato de terminar e recomeçar é dolorido, assustador e por todas as gerações de “terceirões”, existiu e vai continuar existindo: o fantasma da formatura.

A vida de um estudante do último ano do ensino médio é a dúvida e a certeza andando sempre de mãos dadas, sabemos quem somos, porém queremos mais das certezas, “é o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela”*.

Apesar de parecer assustador, confesso, o orgulho de enfim chegar ao topo, no último degrau do colégio, é nítido. Este orgulho de ser o exemplo implica em passar pelos corredores e os mais novinhos chamarem seu nome e falarem com você, por ser simplesmente incrível estar no último e melhor ano do colégio! Fazemos planos desde o fundamental para nos preparamos a esses 200 dias letivos e eles passam tão rápido que mal conseguimos realizar tudo aquilo que queremos.

Em meio a toda essa loucura, queremos ser melhores do que aqueles que passaram antes de nós, cada turma que se formou antes da nossa se torna um parâmetro do que nos queremos, ou não, repetir, do que nós devemos mudar e aperfeiçoar. Tentamos aprender com os erros já cometidos para ter o tão falado e desejado último ano, e sem dúvida fazer esse o ano mais incrível e inesquecível de nossas vidas.

Deixamos uma mensagem em cada aluno (por vezes sem intenção); afinal cada terceirão será lembrado por algum feito e por conta disso, sentimos a obrigação de deixar um legado, uma lembrança boa para aqueles que vão “herdar” a nossa amada escola.

Essa, que nos passamos tantos momentos divertidos, que merecem ser lembrados para sempre. Brigamos, discutimos e discordamos com amigos, colegas, professores e direção, mas mesmo assim foram momentos únicos! Passamos grande parte de nossas vidas na escola, queremos e fazemos dela nosso segundo lar. Por vezes presenciei momentos em que houveram trocas de conhecimentos pessoais, trocas de experiências, conselhos e formação alicerces humanos. Também já presencie momentos em que pessoas diziam não gostar da escola de maneira alguma e chegar ao último ano, dizer que sente saudade e que ama aquele lugar que a transformou em um ser humano melhor.

Para aqueles que estão caminhando em direção ao final do colegial, eu lhes digo: APROVEITEM! Dividam o tempo de vocês entre obrigação e prazer, entre estudar e curtir o momento. Façam amigos verdadeiros e seja um! Conserve quem está com você e quem gosta de você. Leiam e descubram no que vocês acreditam, não se deixem levar pela multidão. Precisamos de pessoas fortes e singulares nesse mundo. A caminhada é dura, mas o prêmio final compensa, e muito!

E para aqueles, que assim como eu, estão na última etapa, vendo o sonho de um futuro diferente tão perto, lhes digo: APROVEITEM! Este momento é tão curto e passageiro que merece toda a dedicação, todo o nosso entusiasmo e nossa alma. Esse momento é seu!  Confie e acredite mais em si próprio. Não tenha medo de errar, as pessoas mais brilhantes são aquelas que erram, reconhecem e aprendem com os próprios erros.  Acredito que sempre que eu quiser lembrar um momento bom, em que me senti incrível, vou me lembrar do ensino médio, de todos os momentos, amigos e lições que eu aprendi!  

Então, quando nós encararmos o caminhar em direção aos portões de saída da vida escolar e chegarmos à calçada, a famosa vida adulta, eles se fecharam e o que nos restará é a lembrança de todos os momentos que vivemos juntos, será uma saudade boa e difícil. Ainda não criaram um adjetivo que possa descrever o forte e intenso sentimento de estar no terceiro ano do ensino médio, e talvez seja melhor assim, há momentos que não podem ser professados ou ensinados, apenas vividos.

O último ano vai chegar para todos, assim como chegou para o extraordinário e destemido terceirão de 2017.

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* CHBOSKY Stephen. "As vantagens de ser invisível". São Paulo, Edit. Rocco, 1999.